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Aumento da produtividade aliado a boas práticas agrícolas

Ano após ano, a demanda do mercado agrícola do Brasil se expande, muitas vezes em descompasso com a capacidade de ampliação da área de cultivo. Este cenário é um desafio para o gestor rural, que precisa identificar boas práticas para viabilizar o aumento da produtividade sem abrir mão da preservação do solo. Especialistas mostram, na prática, que nem sempre é necessário utilizar de técnicas agrícolas caras para alcançar bons resultados na conservação e melhoria da capacidade produtiva.

Maurício de Bortoli é um exemplo disso. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), Bortoli gerencia a propriedade rural da família na região de Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul, e carrega o título de bicampeão nacional do Desafio CESB de Máxima Produtividade de Soja.

O produtor rural é defensor do resgate das boas práticas agronômicas, entre elas a cultura de cobertura. Diferentemente do pousio, período em que o solo descansa após a colheita, o manejo de cobertura é uma técnica agrícola de cultivo de plantas no período de entressafra com o propósito de proteger o solo e prepará-lo para o próximo plantio.

Quais os principais benefícios das culturas de cobertura?

A semeadura de cobertura melhora a disponibilidade de matéria orgânica, fator determinante para a infiltração de água e redução da erosão. Além disso, a palhada gerada pela cultura plantada na entressafra torna o ambiente menos favorável à germinação e desenvolvimento das plantas daninhas.

Bortoli explica que esta prática utiliza plantas de cobertura para revestir a superfície no pós-colheita, por meio de uma rápida e permanente formação de vegetação que promove a sua proteção. “No âmbito da parte interna deste solo, percebemos que a sua principal contribuição está na ciclagem dos nutrientes distribuídos em diversas camadas, além de promover o aumento do material orgânico através do sequestro do carbono de nossa atmosfera”, afirma o especialista.

Diversas espécies são indicadas para o combate à erosão do solo. Para o especialista, a família mais importante é a das gramíneas. “Pelo seu rápido desenvolvimento nos ambientes de produção e pelo seu alto poder radicular”, observa. “Todavia, a escolha da espécie vai depender de diversos fatores a serem observados em nosso planejamento, tais como época do ano, temperatura média, tipo de solo, ciclo produtivo e qualidade de semente”, complementa Bortoli.

O milheto e as braquiárias, utilizados amplamente nas regiões centro-oeste, norte e nordeste, onde acontece erosão por vento, são exemplos de espécies de plantas de cobertura com capacidade para reciclar nutrientes essenciais para crescimento e desenvolvimento do cultivo em sucessão. Como resultado do manejo pós-colheita, o produtor rural poderá reduzir custos de produção, entre eles com fertilizantes químicos.

Quando aplicar as culturas de cobertura?

Segundo Bortoli, o melhor momento para implantação das culturas de cobertura é ao final da colheita da cultura comercial. “A terra não pode ver o sol. Devemos sempre estar produzindo cobertura viva sobre o nosso solo a fim de promovermos a sua conservação e atividade biológica”, afirma.

Ele explica, ainda, que são muitos os tipos de manejo que podem ser utilizados para implantação da cultura de cobertura e recomenda que essas técnicas agrícolas façam parte do planejamento da fazenda como um todo. “Os manejos específicos poderão ser introduzidos desde a semeadura da cultura comercial (consórcio de plantas), passando pela sua introdução a lanço antes do final do ciclo da cultura principal. E, por fim, e mais comum pela sua imediata semeadura, após a colheita do cultivo de verão”, orienta Bortoli.

Para ele, é fundamental que o gestor rural tenha compromisso com o uso conservacionista e sustentável do solo. “Estas práticas de manejo passam a ser tão importantes quanto as adotadas visando a produção de grãos”, finaliza.

Nas regiões onde esse manejo acontece em larga escala, como na maioria das áreas do sul do país, por exemplo, com o cultivo de nabo forrageiro, aveia ou mix de cobertura torna-se evidente a redução nas perdas de solo e água por erosão, que carrega para os cursos d’água mais do que terra: leva também fertilizantes e outros componentes químicos que degradam rios e mananciais. A técnica, portanto, acaba por exercer um papel duplamente importante, ao resultar em aumentos de produtividade enquanto auxilia na preservação ambiental.